Resenha: Grande Sertão: Veredas (João Guimarães Rosa)

capa

Bem, a resenha que segue abaixo é de um dos melhores livros que li em 2017 e ela faz parte dos 12 livros para 2017. Notoriamente uma das mais importantes obras da literatura brasileira, e isso não é apenas uma afirmação minha! A crítica especializada tece elogios pela linguagem, originalidade em seu estilo e elementos peculiares do escritor. Características essas presentes na construção do personagem Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas lutas, seus medos e o amor reprimido por Diadorim.

O romance “Grande Sertão: Veredas” se solidifica como uma das mais significativas obras da literatura brasileira. Publicada em 1956, inicialmente chama atenção por sua dimensão – mais de 600 páginas – e pela ausência de capítulos. Guimarães Rosa incorporou nesse romance, elementos da primeira fase do modernismo e o regionalismo da segunda fase do movimento, para criar uma obra diferente e com padrão próprio.

Confesso que as primeiras cento e trinta páginas desceu quadrado goela abaixo e mais a frente foi tudo se encaixando. Narrado em primeira pessoa nas primeiras fases da obra, Riobaldo, faz um relato de fatos diversos que a gente busca entender toda aquela inquietação sentida por ele sobre a vida. O que pode ser pesado na balança, as dualidades do bem e do mal entre outros questionamentos. O surgimento de Quelemén de Góis parece de primeira mão ajudar ao Riobaldo dar início à narrativa propriamente dita. Riobaldo vive um mar de recordações de seu passado e conta sobre sua mãe e como conhecera o menino Reinaldo, que se declarava ser “diferente”. Riobaldo admira a coragem do amigo.

Quando sua mãe vem a falecer, ele é levado para viver com seu padrinho na fazenda São Gregório, onde conhece Joca Ramiro, grande chefe dos jagunços. Selorico Mendes, o padrinho, coloca-o para estudar e após um tempo Riobaldo começa a lecionar para Zé Bebelo, um fazendeiro da região. Pouco tempo depois, Zé Bebelo, que queria por fim na atuação dos jagunços pela região, convida Riobaldo para fazer parte de seu bando, o que e acaba aceitando. Assim começa a história da primeira guerra narrada em “Grande Sertão: Veredas”.

paisagem

Começa o conflito entre o bando dos jagunços liderado por Hermógenes contra Zé Bebelo e os soldados do governo, faz com que Hermógenes fuja da batalha. Riobaldo resolve desertar do bando de Zé Bebelo e encontra Reinaldo, que faz parte do bando de Joca Ramiro. Ele decide então juntar-se ao grupo também. A amizade entre Riobaldo e Reinaldo se fortalece com o passar do tempo e Reinaldo o confidencia em segredo seu nome verdadeiro: Diadorim. Em certo momento dá-se a batalha entre o bando de Zé Bebelo e de Joca Ramiro, onde Zé Bebelo é capturado.

Para quem ainda não leu é confuso a questão desses duelos, quem é amigo de quem e quem está no páreo. Porém é de fácil entendimento conforme o livro atinge um certo números de páginas…

Zé Bebelo é julgado pelo tribunal composto dos líderes dos jagunços, dos quais Joca Ramiro é o chefe supremo. Hermógenes e Ricardão são favoráveis à pena capital. Trocando em miúdos, Joca Ramiro sentencia a soltura de Zé Bebelo, mas com uma condição de que ele vá para Goiás e não volte até segunda ordem. Nisso vão se fazendo novos pensamentos entre eles e em seguida ao julgamento, Riobaldo e Reinaldo juntam-se ao bando de Titão Passos, que também lutou ao lado de Hermógenes.

Eis que surge um jagunço chamado Gavião-Cujo dizendo que Titão informou que Joca Ramiro foi traído e morto por Hermógenes e Ricardão, que ficam conhecidos como “os judas”. Riobaldo que não é besta nem nada nesta conjuntura da história tem um caso amoroso com a prostituta Nhorinhá e, posteriormente, com Otacília, por quem se apaixona. Diadorim que já está bem próximo na amizade e na admiração por Riobaldo se sente traído pelas escapadas que o amigo dá. Tudo isso fica bem presente e notório quando ele expressa essa raiva durante uma discussão com Riobaldo e ameaça com um punhal.

Riobaldo e Diadorim

Personagens Riobaldo (Toni Ramos) e Diadorim (Bruna Lombardi) obra adaptada para televisão. 20/12/1985

Sobre a questão da morte de Joca os jagunços se reúnem para combater “os judas ” e assim começa a segunda guerra, organizada sob novas lideranças: de um lado Hermógenes e Ricardão, assassinos de Joca Ramiro e traidores do bando; de outro, os jagunços liderados por Zé Bebelo, que retorna para vingar a morte de seu salvador.

Nisso os dois bandos se unem para tentar fugir do cerco armado pelos soldados do governo, mas o bando de Zé Bebelo foge na surdina do local e deixam Hermógenes e seu bando lutando sozinhos contra os soldados. Riobaldo entrega a pedra de topázio a Diadorim, o que simboliza a união entre os dois, mas recusa dizendo que devem esperar o fim da batalha.

Quando o grupo de Zé Bebelo chega às Veredas-Mortas, em dado momento Riobaldo faz um pacto com o diabo para que possam vencer o bando de Hermógenes. Sob o nome Urutu-Branco, ele assume a chefia do bando e Zé Bebelo se deserta do grupo. Riobaldo pede para um jagunço entregar a pedra de topázio à Otacília, o que firma o compromisso de casamento entre os dois.

O bando liderado por Riobaldo (ou Urutu-Branco) segue em caça por Hermógenes, chegando até sua fazenda já em terras baiana, aprisionam a mulher de Hermógenes e, não o encontrando, voltam para Minas Gerais. Em um primeiro momento, acham o bando de Ricardão e Urutu-Branco o mata. O grupo de Hermógenes é encontrado no Paredão e se inicia um sangrento conflito.

guima rosa

João Guimarães Rosa

O desfecho não será contado, mas adianto que é forte e movido de muita emoção. É sensacional como uma obra dessa mexe com o nosso emocional e no final, na ultima página a gente fica estarrecido. Obrigado por acompanhar a mais uma resenha. Até a próxima!

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