Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger)

capa

Oi pessoal, tudo bem com vocês? O post de hoje é sobre um dos clássicos da literatura americana escrita por J.D Salinger, O Apanhador no Campo de Centeio. Escolhido para ser lido no mês de Julho no desafio dos 12 livros para 2017.

Nesta obra conheceremos Holden Caulfield, um jovem que praticamente esta saindo da adolescência e como todo jovem, ele sofre este processo transitório natural de sua idade. Ele apresenta uma mente confusa o que torna seu comportamento embaralhado apenas reflexo desse um turbilhão de sentimentos que ele sente. Um bom exemplo dessa confusão é quando ele cita “esse negócio doido” que aconteceu com ele de um local que pode ser um hospital psiquiátrico ou coisa semelhante, onde está se recuperando.

Acredito que o personagem por ter esta carga de problemas, sofrido por algum trauma ele começa a construir pensamentos negativos, cheio de medos e isso nos é revelado quando no decorrer do livro ele se pega chorando às vezes sem saber o motivo.

“[…] Naquele tempo eu tinha dezesseis anos — estou com dezessete agora — mas de vez em quando me comporto como se tivesse uns treze. E a coisa é ainda mais ridícula porque tenho um metro e oitenta e cinco e já estou cheio de cabelos brancos. Estou mesmo. Um lado da minha cabeça — o direito — tem milhões de cabelos brancos desde que eu era um garotinho. […]”.

Holden tinha três irmãos, um mais velho chamado D.B. que é escritor e mora em Hollywood, Phoebe, sua irmã menor, e Allie, que morreu de leucemia há alguns anos. Esta perda causou em Holden uma ferida muito grande e ele sofre com isso e fica relembrando e se apoiando nessas lembranças do irmão, que ele tanto amava. Temos então nesta ausência (falecimento do irmão) uma grande válvula de escape que acaba criando um “fantasma” e que no final das contas é de grande ajuda para o Holden em alguns momentos.

Com toda essa carga de emoções no livro, verificamos nele vários simbolismos, o que de primeira mão aparenta ser um livro raso ao longo da leitura vemos que realmente não é. Dentre esses simbolismos (que eu acho fantástico) Holden levanta sempre alguns (mesmos) questionamentos e sempre se pergunta para onde vão, durante o inverno, os patos que vivem no lago sul do Central Park, pois eles desaparecem e voltam sem deixar nenhum sinal de onde vão a cada estação. Em outro momento ele compra um chapéu de caça vermelho, e usa-o em vários momentos, como uma espécie de escudo. E até mesmo o próprio título do livro, que é explicado durante uma conversa dele com a irmã. Acho tão legal essa singeleza que nos é passada ao longo da leitura que vamos lendo, lendo e quando pensa que não, o livro acaba.

salinger

Holden é um jovem, aparentemente comum, tem seus defeitos e suas qualidades voltadas para pontos diferentes. Ao mesmo ponto que é educado é um bocado língua solta e carrega dentro de si um espírito aventureiro etc. Não é de fazer amigos, pois desconfia das pessoas e as consideram muito falsas. Têm manias e defeitos como todos nós. Gosta de ler, odeia cinema, reclama adoidado de tudo, parece uma chaminé, pois fuma igual um louco. Em uma de suas andanças, já de volta para casa, perambulando por Nova York, ele vai se deparando com vários elementos urbanos, pessoas estranhas, uma prostituta, vai a bares, é barrado quando pede bebidas alcoólicas. Podemos dizer que ele não estava nem aí pra o que ia dar, ele gostava de fazer o que desse na telha, dançar conforme a musica.

Aos leitores mais novinhos vai aí um aviso: A tradução do livro em si é carregada de gírias bem usuais da década em que foi escrito o que não é estranho, mesmo pra que não estão familiarizados com elas. O livro teve sua publicação em meados de 1951 e o autor usa umas palavras e gírias da época como, por exemplo, “alguma coisa é boa pra chuchu” ou “aconteceu isso comigo, no duro” ou “ele era um bocado inteligente ou coisa que o valha” etc. Tudo isso é carregado de uma relevância interessante, pois apenas acrescenta verdades para compor a história e também serve para entendermos a mente de um jovem da época pós Segunda Guerra Mundial, ainda por cima, um rebelde com causa.

bone

Temos drama, amor, humor e muitas verdades. Segue abaixo um pequeno trecho:

“O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: “Muito prazer em conhecê-lo” para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo.”

JD_Salinger

J. D. Salinger

É um livro sincero que soube jogar a mensagem que pretendia nos passar, fala sobre partidas, encontros, vivências e também desencontros, relatos de viagens tanto de Nova York quanto na Pensilvânia, onde Holden estudava. As lembranças da infância e de outros momentos da vida de Holden. Sobre o fim podemos dizer poucas coisas… Mas reforço que é um livro bacana e indico a leitura fortemente. Um abraço e até a próxima resenha galera!

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