Resenha: Fogo Morto (José Lins do Rego)

capa

Fala pessoal, chegamos ao meio do ano e para mim em especial chegou com uma grata surpresa por ter tido a experiência de ter lido um livro tão surpreendente. Fogo Morto do escritor José Lins do Rego foi escolhido para ser lido no mês de junho para o Desafio dos 12 livros para 2017.  Dividido em três parte o romance segue sequencia com três personagens que terão participações mais que especiais.

Primeiro a história mostrará a vida do personagem Mestre José Amaro, seleiro por profissão e o mais renomado de sua região. O mesmo vive nas terras pertencentes ao Seu Lula, segundo personagem da trama. José Amaro passou toda a sua vida dedicada sempre ao mesmo ofício, à saúde fragilizada devido ao tempo de serviço, ao forte cheiro do couro e a cola usada na confecção de peças para montaria deixava-o com um aspecto doentio.

Vive com ele a filha Marta, uma solteirona que acaba enlouquecendo, e com a mulher, Sinhá. José Amaro reside bem próximo à beira da estrada numa localização que favorece o contato com vários personagens que passam pelo caminho. Entre as principais figuras com as quais desenvolve suas conversas estão o Capitão Vitorino Carneiro da Cunha, de quem se apieda pelo modo como é tratado pelo povo da região; o cego Torquato e Alípio, mensageiros do Capitão Antônio Silvino, cangaceiro temido da região. O mestre admira e respeita o cangaceiro, por considerá-lo o vingador dos pobres e explorados.

Como é de se esperar, teremos a história contada a partir desses três núcleos que num certo momento, Marta a filha solteirona do Mestre tem uma crise nervosa de convulsão e já desesperado para resolver isso, José Amaro acaba a espancando com o intuito de curá-la. Em meio a tudo isso José Amaro costumava vagar pelas redondezas, mas precisamente no meio do mato, seu semblante cada vez mais deprimente e estranho devido a uma insônia que não tinha fim, virou motivo de comentários dentro do povoado, o levando a fama de ser um lobisomem.

Apesar desse turbilhão de problemas que ocorrem em sua família, “O mestre” senti orgulho de seu oficio e fala de peito aberto que trabalha apenas para quem lhe da na telha. Por essa e outras ele acaba tendo uma má querência com o dono da terra em que vivi e que futuramente acaba sendo expulso. Não aguentando mais tantos problemas com a saúde de sua filha, resolve interna-la, sua mulher foge não aguentando mais os desmandos do marido, sua figura doentia e mais do que nunca, até ela mesma passa a acreditar que ele tenha virado um lobisomem.

Já na segunda parte somos apresentados ao Seu Lula e seu engenho. Luís César de Holanda Chacon (Seu Lula). Começa agora uma fase onde se remonta à época da construção do Engenho de Santa Fé. – Abrindo um parêntese gigante, toda vez que eu lia esse nome lembrava automaticamente do nosso extraordinário Erico Verissimo e sua grande obra O Tempo e o Vento, mas não era e eu voltava à realidade de José Lins… rsrs – voltemos, O fundador do engenho fora o capitão Tomás Cabral de Melo, que chegou à região, um sítio próximo ao engenho Santa Rosa, e criou um dos maiores engenhos do local, conquistando o respeito e a admiração de todos. Um dos homens mais sérios e exímio trabalhador, o capitão fora pioneiro na criação de gado daquela região, teve escravos e excelente família.

Construído seu imenso patrimônio, faltava a ele uma única realização: casar a filha – como todas as moças daquela época sua filha tocava piano, estudara no Recife e que por obrigação deveria casar-se com um homem a sua altura. Claro que como um bom homem exigente Seu Lula não achava nenhum na região, por não terem os requisitos necessários, o capitão começa a se preocupar com a idade da filha e com sua condição de solteira.

A solução estaria chegando de Pernambuco. O filho de Antônio Chacon, homem de coragem e muito admirado pelo capitão. O nome do rapaz é Luís César de Holanda Chacon. Fino e estudado, é considerado pelo capitão Tomás um ótimo partido para a filha e para suas ambições. Eles se casam, e com o tempo o capitão percebe que o genro não tem muito ou quase nada de interesse pelos negócios do engenho e passa a considerá-lo um encostado. O capitão parte “dessa pra pior” e o que era suspeita se confirma.

Agora chamado de Seu Lula, o dinheiro lhe sobe a cabeça e ele se mostra um senhor de engenho carrancudo, autoritário e que adora cobrar autoridade aplicando severos castigos aos escravos. Tudo o que antes havia sido formado e construído pelo Seu Lula acaba sendo dilapidado pelo o genro e o engenho entra em decadência. Com o advento da abolição da escravatura, os escravos abandonam os trabalhos e o engenho deixa de produzir açúcar (torna-se “fogo morto”).

Comandando tudo de forma autoritária, Seu Lula proíbe sua filha Neném de namorar um moço de origem humilde e a moça acaba virando motivo de chacota na cidade. Após um ataque epilético, Seu Lula passa a se entregar à religião por influência do negro Floripes. Por fim, acaba gastando todo o dinheiro que havia recebido de seu sogro como herança. Esta parte do livro se encerra com a famosa frase “Acabara-se o Santa Fé”.

Na terceira parte e arrisco a dizer que um dos personagens que mais me identifiquei foi com o Capitão Vitorino. Ele é uma espécie de herói a avessa que vive vagando por estrada a fora em seu cavalo, tentando passar a quem lhe afronta poder e dignidade que não transmite confiança a quem quer que seja. Nisso os três personagens bebem na mesma fonte, onde saboreiam uma realidade muito diferente das quais tentam aparentar.

Certo dia, o capitão Antônio Silvino invade o engenho Santa Fé após saquear a cidade do Pilar. Ao tentar defender o engenho, Capitão Vitorino é agredido. Porém, ele é salvo com a intervenção de José Paulino. Com a chegada da polícia, todos são presos. Após ser liberado, Vitorino pensa em seguir carreira política na região. Vivendo nesses conflitos os personagens de uma forma bem inteligente sofrem ligação entre si e o final é marcante.

jose

O que posso contar é que o livro é fantástico, de uma estrutura de elementos sensacional. Poderia ficar elencando vários outros atributos, mas não quero deixar o post tão enfadonho para você leitor! Obrigado por chegar até aqui…

 

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