Resenha: Viva o Povo Brasileiro (João Ubaldo Ribeiro)

capa

Oi pessoal, o livro escolhido para o Desafio de leitura dos 12 livros para 2017 me presenteou com um grande clássico da nossa literatura neste mês de fevereiro. Foi minha primeira experiência com o autor, mas digo de antemão que ele tem uma narrativa muito genial. Conforme informações dadas a respeito do livro, Viva o Povo Brasileiro teve seu lançamento em 1984, próximo ao natal. Nele o autor narra a trajetória de um povo iniciada em 20 de dezembro 1647 e terminada mais precisamente em 7 de janeiro de 1972.

O baiano João Ubaldo Ribeiro escreveu diversos livros, contos e crônicas e teve alguns livros transformados em filmes e minisséries. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e faleceu em 2014 aos 73 anos. Ao longo dos anos talvez João Ubaldo Ribeiro tivesse refutado a ideia de que este livro seria de fato algum dia um romance histórico, até porque muitos livros só adquirem o peso que realmente lhe são cabíveis com o passar dos anos.

Em sua estrutura a construção de identidade dos personagens mistura elementos reais e fictícios, envolvendo acontecimentos históricos que fizeram parte da construção do Brasil e acredito que isso faz com que o livro se torne tão cativante. A abordagem de cunho nacionalista propõe um diálogo mordaz e sarcástico com o que tínhamos de mais vivo em nossa cultura naquele período.

j. ubaldo

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Antes de qualquer coisa as opiniões expressas aqui nesta resenha são apenas de um leitor comum que adora ler, ama nossa literatura e que de forma alguma esta prestando o papel de um crítico literário. Não que eu não tenha minha própria crítica. Pois bem, voltemos. A partir dessa história com raízes e base na formação de uma como já foi dita, sociedade diversificada, temos o inicio com o alferes José Francisco Brandão Galvão através da História do Brasil, mostrando os valores e hábitos dos habitantes da Ilha de Itaparica, cenário onde a maior parte da ação se passa, além do Recôncavo Baiano, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Lisboa.

Brandão Galvão é na verdade um pescador adolescente, apelidado de alferes pelos companheiros de reuniões que envolviam política e que na verdade não entendia bulhufas de da nada da mesma. Temos depois Perilo Ambrósio (Barão de Pirapuama) que têm um perfil heroico bem como a maioria dos poderosos da época representada aqui no romance. Isso passa a ser claro para o leitor quando Perilo arma uma farsa para simular sua participação nos combates pela Independência do Brasil e mata um escravo, com cujo sangue se lambuza e com medo de ser desmascarado corta a língua do outro escravo para que o mesmo não revele a verdade. Fingindo aliar-se aos brasileiros por motivos patrióticos, aproveitando-se da hostilidade entre brasileiros e portugueses, Perilo realiza sua ambição e vingança: tomar o patrimônio de sua família que era portuguesa.

Independente do núcleo de personagens, trabalhadores, símbolos religiosos, comerciantes, os senhores políticos, os militares, todos ganham espaço na narrativa, onde é escancarada e urgente a constante busca por algo. Como não poderia faltar temos também variações do uso da língua portuguesa, da história oral, da história escrita e da memória histórica.

Já no que diz respeito aos personagens e eventos, estes partem de uma estrutura peculiar de época e de como eram tratados os problemas locais. Da cultura do domínio, catequese indígena, países que invadiram o Brasil no período colônia; as revoltas sociais; a vinda da Família Real e a Independência do Brasil; o Segundo Reinado; a Guerra dos Farrapos e a Guerra do Paraguai; a Lei Áurea; a Proclamação da República; o Cangaço; a Guerra de Canudos; o Governo Vargas, o Golpe Militar de 1964, podemos nos deliciar com boa parte da nossa história construída brilhantemente por João Ubaldo Ribeiro.

Espero que tenham gostado! Vale salientar que o livro tem um encerramento surpreendente e que vale a pena ser lido, aliás, devorado! Obrigado pela leitura e até a próxima!

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