Resenha: Solo de clarineta Vol.I (Erico Verissimo)

capa

Para quem pegou o bonde andando já estamos no ano de 2016 e este ano estão previstas aqui no blog as leituras de 12 livros que terei que ler, não por obrigação, claro! O desafio parte do seguinte: cada mês independente do material que eu já esteja lendo, terei que ler um livro do desafio, ou seja, o ano têm 12 meses e os 12 livros serão divididos entre eles (um para cada mês). E neste mês de Janeiro o livro que me propus a ler foi os livros de Memórias: Solo de clarineta vol. I e II do sensacional, Erico Verissimo.

Quando lemos uma obra de boa procedência identificamos (isso falando em regionalismos entre outros aspectos) bastante da alma do autor. E quando se trata de um livro de memórias ou biografias, percebemos que muitas vezes o próprio autor se reconhece dentro de cada um de seus personagens, às vezes por que realmente queria estar na pele de algum deles em outras vezes por pura e despretensiosa vontade. Não foi diferente para Erico Verissimo autor pelo qual passei a ter muito apreço (sei que a palavra é bastante antiga, mas o momento requer) onde a gente observa vários desses encontros entre personagem e homem das letras.

O livro Solo de clarineta traz pra gente um apanhado de informações, não que ele seja um glossário que contém todas as informações sobre personagens, cidades fictícias e outras coisas, não! Solo de clarineta vai mais além, pois trata não só do período de Erico Verissimo em sua infância até a criação da saga O tempo e o vento. Estes livros de memória presenteará o leitor com períodos memoráveis da vida do Erico como também dará um grande suporte para os que tenham interesse por este grande homem.

O livro é divido em dois volumes como já havia dito, e no primeiro deles teremos a fase inicial de Erico como foi sua fase de adolescente, como foi seu período escolar e acadêmico, seu encantamento por sua cidade natal, Cruz Alta e sua chegada a cidade grande.

No mesmo ano em que Sebastião Verissimo e Albegahy Lopes pais de Erico Verissimo se casam, Erico nasce em Cruz Alta no Rio Grande do Sul no ano de 1905. Após três anos, Erico ganha um irmão, Ênio. Seu pai farmacêutico por formação e não por vocação, compra uma farmácia, mas não consegue se estabelecer nos negócios e nesta sua única renda. Sua mãe, que costura para algumas famílias da cidade ainda consegue com todos os esforços manter as despesas domésticas que a farmácia do pai já não cobria. Erico neste período de 1912 começa a frequentar o Colégio Elementar Venâncio Aires lá mesmo em Cruz Alta, onde têm aulas com a professora Margarida Padelhas. Passado esse período de estudos em sua cidade natal, Erico ingressa no Internato Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre em 1917.

casa de Erico

Residência de Erico Verissimo em Cruz Alta/RS

Erico relata pra gente todas as suas dores e delícias que só este período de adolescência nos proporciona. Não bastassem tantos desafios ocorridos dentro da sua vida escolar e a mudança de cidade, Erico passa por uma dor maior, a separação de seus pais. A leitura de O tempo e o vento é quase um prelúdio para conhecermos um pouco do convívio entre pai e filho – isso já num período mais avançado da obra – no que diz respeito a pai e filho (Rodrigo e Floriano Cambará) da ficção, com o pai e filho (Sebastião e Erico) de nossa vida real.

Erico e Familia

Luis Fernando, Mafalda, Clarissa e Erico Verissimo.

Não que tudo fosse reflexo e semelhança entre obra e vida real, não! O autor em diversas passagens da obra Solo de clarineta deixa bem claro sobre o que podemos comparar entre sua vida e as dos personagens criados em O tempo e o vento. Bem, deixemos isto de lado e vamos aos outros fatos mais importantes. Erico que admirava o pai e sua profissão de farmacêutico decide comprar uma farmácia e entra numa sociedade com uma migo. Infelizmente ou felizmente pra nós leitores esta farmácia não prospera e abre falência em 1929. Desesperado por não saber o que fazer Erico decide dar aulas de inglês e literatura.

Em 1928 Erico publica seu primeiro conto, Ladrão de gado pela Revista do Globo e começa a namorar Mafalda Halpen Volpe, noivando-se assim com ela em 1929 mesmo ano que a sua farmácia fecha as portas. Em 1930 ano da Revolução, Erico desafia militares revoltosos que queriam impedir o enterro de um tenente legalista morto nos enfrentamentos. Neste mesmo ano Erico consegue emprego na Revista do Globo como secretário onde conhece Augusto Meyer. Em 15 de Julho casa-se com Mafalda e recebe de seu pai uma foto tirada em São Paulo (o pai estava completando cinquenta a os e fazia algum tempo que eles não se viam).

Em 1935 Erico perde o pai e pedaço de sua vida. Sebastião Verissimo morre em São Paulo sem nenhum parente ou amigo. Neste mesmo ano nasce à primogênita de Erico e Mafalda, Clarissa. Em 1936 nasce seu outro filho Luiz Fernando junto com a publicação de Um lugar ao sol. Este período para Erico foi uma grande escola, pois dentro de seu trabalho ele conheceu gente importante e amigos que permaneceram até o fim de sua vida. Seu trabalho consistia em traduzir grandes livros mundiais e mandar para a editora.

Em 1937, Henrique Bertaso convida Erico para ser conselheiro editorial da Editora Globo. E em 1938 e aos poucos, paralelo ao seu trabalho remunerado pela a editora, dedicava-se também aos seus trabalhos pessoais. Mas o trabalho de maior relevância até aquele momento para seus leitores e críticos de todo o mundo viria a surgir com a publicação de Olhai os lírios do campo. Daí para as outras grandes publicações foi só questão de tempo. Em 1941 Erico visita os Estados Unidos pela primeira vez para visitar sua filha que morava lá com o marido e escreve neste mesmo ano Gato preto em campo de neve (primeiro livro de viagens).

Clarice Lispector e filhos junto com Erico e Mafalda

Clarice Lispector e filhos junto com Erico e Mafalda.

Já há anos trabalhando para editora Erico é indicado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, João Neves da Fontoura para assumir a diretoria do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA). Erico viaja com a família para os Estado Unidos e de lá inicia-se em várias viagens pela América Latina, inclusive México, com sua esposa Mafalda. Neste meio tempo entre uma viagem e outra Verissimo finaliza a terceira parte de O tempo e o vento (O arquipélago).

Erico nos Estados Unidos

Direitos: Em obras como “O Tempo e o Vento”, Erico Verissimo se apropriou da figura política de Getúlio Vargas Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

Finalizo aqui a primeira parte do livro de memórias e este próximo tomo tem bastante coisa pra gente conhecer. O universo de Erico foi de uma riqueza surpreendente, tanto no seu gosto pela música, pela poesia ou pela leitura. Acredito que se Erico tivesse estendido apenas mais alguns anos sua de vida, teríamos tido não só apenas esta segunda parte do livro, mais muitos outros materiais de suas incríveis viagens e experiências de vida.

Obrigado por esta leitura e até a segunda parte de o Solo de clarineta vol.II

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