Resenha: Til (José de Alencar)

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Meu desafio de hoje é tornar a resenha de um clássico literário como Til, numa forma menos acadêmica possível e deixar a mesma mais entendível. Meu intuito não é de forma alguma descaracterizar a obra (nem poderia), mas gostaria de ressaltar que antes de ser uma obra de grande importância em nossa literatura e como sendo um livro do Romantismo brasileiro sua escrita torna-se um pouco rebuscada sem deixar de ser primorosa claro, o que deixa o leitor receoso em ler. Mas concordo tambem que seria leviano de minha parte se eu falasse que a sua linguagem não é complicada, pois ela é, e tem seu fundamento, Til foi criado em outra época. Mas como bem disse no primeiro parágrafo, não estou aqui pra complicar, há sites que já cumprem este papel! Vamos lá então?

O foco da narrativa gira em torno de sua personagem principal, Berta, uma adolescente linda que tem um grande coração, desprendida de valores e que não sabe ao certo como veio ao mundo. Ela foi adotada por Nhá Tudinha, viúva e mãe de Miguel, o típico mocinho romanesco, um caipira. Eles residem em Santa Bárbara, um vilarejo cortado pelo rio Piracicaba, na região de Campinas. O local é a fazenda das Palmas, que tem grande importância regional e seu herdeiro é Luis Galvão, este é casado com D. Ermelinda, com quem teve gêmeos, Linda e Afonso, e divide a criação de seu sobrinho, um adolescente violento, emocionalmente instável e com distúrbio mental chamado Brás. Criados num mesmo ambiente, os gêmeos são muito amigos de Berta e Miguel, com quem vivem juntos, brincando e partilhando momentos alegres e cheios de romances juvenis.

rosto José de Alencar

Berta, dotada de um sentimento de carinho têm dois deveres na vida, um é cuidar da velha negra Zana que sofre de transtornos mentais e vive praticamente abandonada no mundo tendo apenas a garota como ajuda. E outro a difícil tarefa de tentar ensinar algo a Brás, que sempre estimou a moça e sempre deu ouvido. Aos poucos ela consegue lhe ensinar uma reza e a associação dos sons do alfabeto, um avanço lentíssimo, porém muito comemorado por ela. Vem daí o seu apelido, e também nome do romance: Til é o único acento que desperta em Brás um sentimento benéfico. Ele vê no sinal o símbolo da graciosidade e surpreendentemente o adora. Desse modo, Berta possui “uma inspiração” (palavras retiradas do livro): associa a si própria ao acento, ela pede ao garoto que a chame apenas pelo apelido, passando ter assim maior interesse pelo aprendizado.

Já outro personagem, Jão Fera (o Bugre) um jagunço descrito como um matador de aluguel, a quem Alencar atribui características e, principalmente, atitudes animalescas que o autor descreve com tanto sentimento. Berta, nutri um sentimento confuso pelo personagem enigmático de Jão. Mesmo sabendo de suas atrocidades consegue não ser intimidade por ele. Jão é o fio condutor que permeia a obra e detentor de vários segredos por trás da origem de Berta, do vínculo dele e da garota com Luis Galvão e da intenção obstinada de Ribeiro (Barroso) em matar o fazendeiro.

No mais, pararei por aqui sem mais detalhes. Peço a todos que tenham a disponibilidade de ler este magnífico romance que o leia. Não posso percorrer mais nem uma linha sobre tal obra… Tudo será spoiler…

Obrigado e até a próxima!!!

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