Resenha: O Coração das Trevas (Joseph Conrad)

capa O coração das trevasO Coração das Trevas, do autor britânico nascido na Polônia Joseph Conrad, foi publicado pela primeira vez em 1902. Obra altamente descritiva, Joseph apresenta-nos cinco tripulantes a atravessar o estuário do Tamisa a bordo de um iate, Nellie. Um desses tripulantes irá narrar, ao longo da viagem, a busca por

um mito quase como um diário de bordo de quando ainda não era tripulante e depois quando passou a ser um.  A história se passa na África colonial pós-Revolução Industrial e reflete questões ainda atuais.

A bordo do Nellie estão os nossos : Marlow que nos conta a sua busca por Kurtz, um homem instigante e de métodos um tanto contraditórios ao “sistema”; e o próprio narrador que introduz a fala de Marlow e o descreve (é um dos tripulantes, narrador principal, que introduz as falas de Marlow. A troca entre narradores é sutil, aspas iniciam e não são terminadas apenas tem-se o início de novas. Notam-se várias expressões de Marlow enquanto ele descreve a sua saga.

Os outros três tripulantes, apenas para uma localização espacial, visto que não interferem na narrativa são: o diretor da Companhia (capitão e anfitrião) – era homem que inspirava simpatia; o advogado – tinha tantas e tamanhas virtudes que tinha direito à única almofada e deitar no único tapete; o contabilista – entretia-se com as pedras de osso do dominó.

rosto josephconrad2Um breve comentário: Preciso contar que fiquei meses lendo e parando este livro, pois aconteceram vários episódios em minha vida e que tornou a leitura dele um pouco enfadonha. Nada que seja depreciativo ao livro, não se trata disso! Continuemos!!!

Marlow também é descrito pelo narrador: marinheiro e vagabundo, os dois ao mesmo tempo, com porte de ídolo. Marlow ganha voz logo no início do livro, contando o seu trajeto até virar capitão de um vapor fluvial, o que ele ansiava. Conseguira a nomeação por ocasião de morte de um capitão. Ele teve de passar por um exame médico para ingressar na Companhia, no qual o médico, inofensivo, original, imperturbável, pedira para tirar as medidas da cabeça dele para verificar as alterações que aliás, “são por dentro, não sei se sabe”.

Na figura da tia, Marlow aproveita para apresentar sua opinião em relação às mulheres que, para ele, fogem da realidade e vivem num universo onde tudo é bonito demais. A figura do indígena, tanto quanto a do negro, é vista com certo desprezo. Uma nítida sensação de ser superior aos “selvagens” indígenas e negros é clara no livro, e não seria concebida atualmente de outra forma que não como preconceituosa.

Tantas outras figuras são descritas por Marlow até que o ilustre. Kurtz apareça na narrativa. Um chefe de contabilidade; um administrador (que viria a se mostrar um aproveitador); um aspirante de primeira classe, “fabricante de tijolos”;  alguns peregrinos; o arlequim (dono do espírito aventureiro); e, por fim, a figura, não, a voz, o dono do talento de falar a quem todos adoram ouvir, Sr. Kurtz. O “dote da expressão”, descrito por Marlow na página 59, estava em Kurtz.

Apesar de grandes obstáculos que tive no desenrolar do livro, consegui chegar ao fim e nem sei ao certo se extrai o ponto principal da obra. Acreditando no meu gosto pela leitura e sabendo o peso literário que esta obra tem para o mundo preciso rever alguns livros de apoio sobre a mesma. Então é isso, espero que tenham gostado.

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